Não há dúvida de que Santa Teresa
de Jesus (ou de Ávila) é uma das personalidades mais influentes na história da
Igreja. Foi responsável pela reforma “descalça” na Ordem Carmelita e é uma das
escritoras espirituais mais lidas até hoje, sendo a primeira mulher a receber o
título de Doutora da Igreja.
Em sua autobiografia, ela narra uma
das maiores experiências místicas que lhe aconteceu: a transverberação.
Ela conta que certa vez viu um
pequeno anjo querubim em forma humana. Ele trazia uma espécie de flecha de ouro
com a ponta incandescente. Com este dardo ele lhe perfurava o coração de modo
que ela era cada vez mais abrasada no amor de Deus.
Ela escreve: “A dor era tão grande
que eu soltava gemidos, e era tão excessiva a suavidade produzida por essa dor
imensa que a alma não desejava que tivesse fim nem se contentava senão com a
presença de Deus”.
É interessante notar que se a Cruz
de Cristo foi o maior ato de seu amor por nós, os santos, em sua união mística
com o Crucificado, experimentam uma dor profunda na alma, que por vezes se
manifesta também no corpo. É o caso dos estigmatizados como São Francisco ou o
Padre Pio, por exemplo. O fato é que essa dor de amor é deliciosa para quem a
recebe, embora acarrete sofrimentos.
Depois de ter seu coração
transpassado pela flecha do querubim, Santa Teresa alcançou o mais alto grau de
perfeição espiritual, o que ela mesma chama de 7ª morada do castelo interior.
Anos depois, quando o corpo da
santa foi exumado, se verificou que seu coração apesar de intacto trazia a
cicatriz de um ferimento cauterizado. Ela teve seu coração e sua alma
literalmente flechados pelo amor divino.
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