Objetivo

"Flos Sanctorum" significa "Flor dos Santos". Era o nome de vários livros antiquíssimos que contavam a vida dos santos.
O objetivo deste blog é partilhar pequenos fatos sobre a vida dos santos, beatos, veneráveis, servos de Deus e outras testemunhas da Igreja Católica. Imitemos aqueles que imitaram a Cristo!


28/10/2021

SÃO JUDAS TADEU, O CAMELO E A AGULHA


A Bíblia nos traz poucas informações sobre a vida dos Apóstolos depois de Pentecostes, mas essa lacuna pode ser preenchida por alguns textos apócrifos. Obviamente, por se tratarem de apócrifos, não trazem a Verdade Revelada e, portanto ninguém é obrigado a crer em seus relatos, mas muitos deles são baseados em tradições orais e podem conter elementos históricos importantes.
Um desses textos nos traz um estupendo milagre realizado por São Judas Tadeu:
Um homem rico se aproximou do Apóstolo e lhe perguntou o que fazer para se salvar. São Judas o incitou a praticar os mandamentos, a seguir os ensinamentos de Cristo e a repartir seus bens aos pobres. Diferentemente do jovem do Evangelho que saiu triste ao escutar a mesma coisa de Nosso Senhor, este homem ficou de tal forma irado que se lançou ao pescoço do santo para enforcá-lo.
São Judas lhe citou o ensinamento do Mestre “é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mt 19,24) e o homem esbravejou que isso não poderia ser “mais fácil” porque era de fato impossível.
Vendo que havia camelos da região, São Judas pediu uma agulha emprestada e rezou. No melhor estilo “Homem-Formiga” dos filmes da Marvel o camelo diminuiu de tamanho, passou por dentro do furo da agulha e cresceu novamente. Toda a multidão, incluindo o homem rico, começou a clamar “não há deus, a não ser o Deus de Tadeu, o Apóstolo” e foram batizados.
Este é um dos motivos pelos quais são Judas Tadeu é conhecido como o Santo das Causas Impossíveis. 
 

25/10/2021

Frei Galvão, o homem da paz e da caridade.


Santo Antônio de Santana Galvão, mais conhecido apenas como Frei Galvão, foi o primeiro santo nascido no Brasil a ser oficialmente canonizado pela Igreja. Assim é justo que iniciemos nossa série de postagens sobre os santos brasileiros por ele.
Nasceu em Guaratinguetá, interior de São Paulo, em 1739, numa família muito devota mas também muito influente na sociedade.
Tornou-se frade franciscano e foi ordenado sacerdote. Viveu a maior parta da sua vida em São Paulo, no convento do Largo de São Francisco.  Também nessa cidade fundou a sua maior obra, o Mosteiro da Luz para as monjas concepcionistas. Aliás, não só fundou como também trabalhou com suas próprias mãos na construção. É nesse lugar que se encontra seu túmulo até hoje.
Frei Galvão não tinha somente o dom da cura, pelo qual ficou muito conhecido, mas várias outras graças místicas também: o conhecimento dos corações e pensamentos, a levitação e até mesmo a bilocação. Ainda em vida sua fama de santidade havia se espalhado por todo o país.
Muito conhecidos são os milagres de suas “pílulas”. Em alguns casos onde não podia ir atender ao enfermo, escrevia uma pequena oração a Nossa Senhora em um papelzinho que mandava que fosse engolido como um remédio. Até hoje as irmãs do Mosteiro fabricam este pequeno sacramental em honra da Virgem e do santo Frei.
Falando em Nossa Senhora, ele era um grande devoto. Havia se consagrado totalmente a Ela, assumindo a condição de “escravo” de Maria, e havia feito um voto particular de defender sua concepção imaculada quando esta doutrina mariana ainda nem havia sido declarada dogma e havia confusão entre os teólogos.
Vale a pena conhecer mais profundamente a vida e milagres deste grande homem que deve encher de santo orgulho cada católico brasileiro.

 

23/10/2021

A noiva santa


 

Na Igreja temos inúmeros exemplos de mulheres santas: virgens consagradas, viúvas, casadas... Mas estamos prestes a ter a primeira noiva oficialmente beatificada. Amanhã (24/10/2021) ocorrerá a beatificação da jovem Sandra Sabattini.

Nascida em 1961 em uma família profundamente católica (chegou a morar na casa paroquial, onde seu tio era o padre), desde os 10 anos escrevia uma diário espiritual. Na adolescência passou a fazer parte da Comunidade Papa João XXIII, que tem por carisma o serviço aos “últimos da sociedade”.

Sandra conciliava uma vida de profunda oração com os estudos de medicina. Seu sonho, compartilhado pelo noivo, era o de tornar-se médica missionária na África entre os mais pobres.

Em 1984, quando ia a um encontro da Comunidade com seu noivo, sofreu um atropelamento que pôs fim à sua breve e intensa vida.

Que a nova beata inspire muitos corações jovens a se entregarem também a Cristo em uma vida de pureza e caridade!


22/10/2021

O Papa santo e os santos do Brasil


Em 1991, durante sua visita apostólica ao Brasil, e por ocasião da Beatificação de Madre Paulina, São João Paulo II proferiu essa frase tão importante para a Igreja em nossas terras: “O Brasil precisa de santos, de muitos santos”.

Esta afirmação, com força profética, não diz respeito somente às canonizações de santos “oficiais”, mas principalmente à vida de santidade que nós, católicos devemos ter em nosso dia-a-dia. Mas é inegável também que ela deu um novo impulso para as causas de canonização em nosso país.

Hoje temos 37 santos e 52 beatos que viveram sua santidade em nosso país (nem todos nasceram aqui) além de quase 120 processos de beatificação abertos e inumeráveis mortos com fama de santidade.

Aproveitando a Memória de São João Paulo II e este seu desejo de ver crescer a santidade na Terra de Santa Cruz, vamos iniciar uma série de postagens sobre os “Santos do Brasil”. Pretendemos trazer a cada semana o resumo da vida de cada um desses homens, mulheres e crianças são para nós exemplos de seguimento e união a Cristo.

Siga nossas redes sociais pra saber mais e compartilhe para que mais pessoas possam se inspirar nos heróis da fé!


 

21/10/2021

Mais pra você do que pra mim


Os últimos monarcas do Império Austro-Húngaro foram um casal santo: O Beato Carlos da Áustria e a Serva de Deus Zita de Bourbon-Parma.

Na foto de seu noivado o Beato Carlos escreveu para sua amada Zita: “Mais pra você do que pra mim”. É esse o espírito que deve animar os casais católicos.

A vocação ao matrimônio não é uma busca por autorrealização, mas uma doação de vida de um pelo outro, “assim como Cristo amou a Igreja” (Ef 5,25).


 

20/10/2021

Um pretendente sem devoção



Durante a juventude, Santa Joana Francisca de Chantal teve um pretendente muito nobre, com quem se inclinava a contrair matrimônio.

Um dia, pela janela, viu um sacerdote que levava o Santíssimo Sacramento para os enfermos. Viu também que seu pretendente, que estava por ali, não se ajoelhou à passagem do padre. Indignada exclamou: “Não se ajoelhou! Nem sequer tirou o chapéu! Não será jamais meu marido!” E imediatamente rompeu o relacionamento. Se aquele homem tratava com tal frieza o próprio Deus feito Sacramento, trataria melhor sua futura família?

Anos depois, Santa Joana se casou com um bom homem. Depois de viúva se fez religiosa e, junto a São Francisco de Sales, fundou a Ordem da Visitação. Que ela nos ajude a entender que o amor a Deus está acima de todas as coisas e que nossos relacionamentos pessoais devem sempre nos aproximar do Senhor.


 

18/10/2021

São Lucas, primeiro pintor da Virgem.




São Lucas, o Evangelista, foi um homem de cultura excepcional. A Sagrada Escritura nos diz que era médico (Col 4,14) e que acompanhou São Paulo em várias de suas viagens apostólicas.

É provável que não tenha conhecido a Jesus pessoalmente. Ele mesmo diz que seu Evangelho é resultado de uma intensa pesquisa (Lc 1,3), provavelmente com fontes mais antigas e testemunhas oculares dos fatos narrados. Por exemplo, ele fala de coisas da infância do Senhor que só poderiam ser conhecidos por Sua Mãe Santíssima; é de se acreditar que ele tenha “entrevistado” a Virgem Maria.

Mas o que menos gente sabe é que São Lucas também foi artista. Uma antiga tradição nos conta que ele foi o primeiro a pintar um retrato de Nossa Senhora. Todas as imagens mais antigas da Virgem teriam sido inspiradas nesse primeiro ícone pintado por São Lucas.

Hoje muitos interpretam esse “retrato” de forma simbólica, como se fossem as próprias palavras do Evangelho a retratar Maria. Sem dúvida elas retratam, mas não podemos descartar a tradição, acreditada literalmente pelos antigos, de que São Lucas seja verdadeiramente o primeiro pintor da Santíssima Virgem.


 

15/10/2021

Santa Teresa: um coração ferido



Não há dúvida de que Santa Teresa de Jesus (ou de Ávila) é uma das personalidades mais influentes na história da Igreja. Foi responsável pela reforma “descalça” na Ordem Carmelita e é uma das escritoras espirituais mais lidas até hoje, sendo a primeira mulher a receber o título de Doutora da Igreja.

Em sua autobiografia, ela narra uma das maiores experiências místicas que lhe aconteceu: a transverberação.

Ela conta que certa vez viu um pequeno anjo querubim em forma humana. Ele trazia uma espécie de flecha de ouro com a ponta incandescente. Com este dardo ele lhe perfurava o coração de modo que ela era cada vez mais abrasada no amor de Deus.

Ela escreve: “A dor era tão grande que eu soltava gemidos, e era tão excessiva a suavidade produzida por essa dor imensa que a alma não desejava que tivesse fim nem se contentava senão com a presença de Deus”.

É interessante notar que se a Cruz de Cristo foi o maior ato de seu amor por nós, os santos, em sua união mística com o Crucificado, experimentam uma dor profunda na alma, que por vezes se manifesta também no corpo. É o caso dos estigmatizados como São Francisco ou o Padre Pio, por exemplo. O fato é que essa dor de amor é deliciosa para quem a recebe, embora acarrete sofrimentos.

Depois de ter seu coração transpassado pela flecha do querubim, Santa Teresa alcançou o mais alto grau de perfeição espiritual, o que ela mesma chama de 7ª morada do castelo interior.

Anos depois, quando o corpo da santa foi exumado, se verificou que seu coração apesar de intacto trazia a cicatriz de um ferimento cauterizado. Ela teve seu coração e sua alma literalmente flechados pelo amor divino.


14/10/2021


 
"Mais agrada ao Altíssimo Deus o sacramento da Santa Missa que os méritos de todos os anjos" (São Lourenço Justiniano)


11/10/2021

A Princesa e a coroa da Rainha

 



Os devotos de Nossa Senhora Aparecida são tão diversos quanto o povo brasileiro; entre estes se destacou a Princesa Isabel, herdeira do trono imperial brasileiro e atualmente candidata à beatificação.

Sua Alteza Imperial tinha dificuldades para engravidar, inclusive havia passado por algumas perdas de gestação. Ela se dirigiu então ao santuário como uma simples romeira e implorou à Mãe Aparecida a graça da fecundidade. Pouco tempo depois já teria dado à luz três filhos.

Como pagamento da promessa, a princesa confeccionou o primeiro manto que revestiu a pequena imagem e o ornamentou com suas próprias joias. Mandou fazer também fazer uma réplica, em tamanho reduzido, da coroa que seria usada em sua própria coroação imperial.

Foi Isabel quem assinou a Lei Áurea encerrando definitivamente o terrível período da escravidão negra no Brasil. Ela sabia que estava indo contra os interesses dos poderosos fazendeiros e que possivelmente haveria (como de fato houve) algum tipo de golpe para impedir que ela reinasse. Quando ameaçada de perder o trono por sua luta em favor da abolição, corajosamente afirmou: “Se mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria para libertar os escravos”.

O fato é que ao voltar a Aparecida para entregar seus presentes, Isabel deixa também um pequeno bilhete, ainda hoje guardado nos arquivos da Basílica. Nele está escrito em tom profético: “Eu, diante de vós, sou uma princesa da terra, e eu me curvo, pois és a Rainha do Céu. E eu te dou tão pobre presente que seria uma coroa igual a minha, e se eu não me sentar no trono do Brasil, eu rogo que a Senhora se sente por mim e governe perpetuamente o Brasil".

O Trono do Brasil foi dado a Nossa Senhora. Ela é verdadeiramente nossa Rainha! Que Ela reine também em nossos corações e nos leve sempre ao Seu Filho Jesus Cristo, o Rei dos Reis!